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CARLOS EDUARDO FERREIRA – TRIBUTO


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EM 3 DE OUTUBRO DE 1997, CARLOS EDUARDO FERREIRA ENTRAVA, ASSUSTADO COM A CENA QUE VIA, NO MEU APARTAMENTO. Uma área de ópera, no último decibel, era a trilha sonora. Uma luz vermelha – retirada horas antes de um São Jorge! – mal iluminava a sala, junto com algumas velas. Na mesa de jantar, estava um Carlos Pimenta numa espécie de transe, com um copo d’água, uma vela acesa, tentando “com o poder da mente”, fazer alguma coisa com o garfo, que segurava na mão. Carlos Eduardo, pálido, sem entender coisa alguma, me toca no ombro, e pergunta: “Carlos: está tudo bem?”. Eu disse que não, e dei a “deixa”, para que os convidados da festa surpresa surgissem… Pena que as fotografias desta noite – diga-se de passagem, a última festa que eu fizera no antigo apartamento da rua Washington Luís – perderam-se no tempo…

TEMPO… São apenas 22 anos dividindo mais que o mesmo nome. Entre muitas lágrimas, um oceano de inúmeras lembranças, as palavras perdem-se na tentativa infrutífera de falar sobre o Carlos em apenas um texto, homenageá-lo apenas neste meu Blog, ele que, como vocês poderão constatar nos próximos parágrafos, em uma vida inteira, fez apenas duas coisas para mim, que foram mais do que um tudo que tantos já fizeram: Calos Eduardo Ferreira me chamou de AMIGO desde o dia em que nos conhecemos, e esteve INCONDICIONALMENTE ao meu lado, em tudo!

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SER AMIGO DO CARLOS é, de regra, ser amigo de toda a sua família. Mas, a sua família tem um defeito terrível: eles fazem com que nos sintamos gente da família! Logo, fica muito fácil de se entender porque eram tão festeiros, e queriam a todos nós sempre em suas festas…

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EU SEMPRE FUI BEM VINDO, mas como vocês todos sabem, este nunca foi um privilégio exclusivo meu. Carlos, de longe, foi o amigo que mais me incentivou a entrar no Teatro, e a batalhar pela minha carreira. Sugeria um mundo de coisas, e ficava no meu pé, principalmente quando não lhe dava ouvidos. Aí, a coisa ficava séria, porque ele ia até a minha casa, e não saía de lá até eu mudar de ideia…

O CARLOS É MUITO MAIS IMPORTANTE PARA MIM, do que eu jamais pudera, jamais conseguira dizer. Poucas pessoas tiveram tanta influência, tanta consideração por mim, tamanho respeito, mais uma vez afirmando: isso nunca foi uma exclusividade minha. Ele é assim, para com os amigos…

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OS INIMIGOS? Carlos não os tem, porque ele perdoa, ele tem bom coração. A raiva dá e passa, ele sempre foi assim… Eu esbravejava horrores sobre algo, vinha ele bem conciliador…

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E, SE ELE NÃO BASTASSE, aí ele chamava o Paulo, chamava nossa amada Dona Laura, com nosso Paizão  SEU Juventil, a cada cinco segundo, dizendo algo engraçado… A Felicidade sorria para nós, todos os dias, em que íamos até a casa deles, mas com 16 anos, quem se dava conta disso…

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MAS, O CARLOS FORA DETERMINANTE NA DECISÃO QUE MUDAVA MINHA VIDA: em função de um certo professor, que era a própria Face do Mal, minha Mãe já havia decidido que eu não estudaria mais na minha amada MABE. Carlos Eduardo estudava no Colégio Estadual Sousa Aguiar – o CESA – e, sempre falava maravilhas de lá: Filosofia, saraus de Música e o Teatro, que existia lá também! Além do fato de, tantos dos nossos amigos da MABE haverem migrado para lá. Eu decidi: me transferi para o CESA! Minha mãe não se opôs, aliás adorou: não precisou pagar mais mensalidade…

SORTE GRANDE: ESTUDAMOS JUNTOS, e dos meus dias de MABE tínhamos ainda a Aretusa, na mesma sala! Aquele 1995 fora uma Festa! Chegamos até a montar um show, em 5 de agosto – Dia do estudante! – onde, todos os colegas artistas do colégio apresentaram-se nessa Comédia que realizamos. Quem consegue se esquecer do Carlos, ora de Jorge Bem Jor, ora encarnando um lutador de WWF… Bem, eu entrei no Jurisdrama – por ser aluno do CESA, eu podia participar deste projeto do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, da Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fiz o curso, e tornei-me um Ator Profissional! E, tive dois anos de muito trabalho… Porque um dia, o Carlos, na sala da minha casa, falou-me disto…

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O RAPAZ QUERIA VENCER NA VIDA, e fez tanta força que um dos seus primeiros empregos foi o de vendedor de enciclopédias. Carregava, pela cidade toda, todos aqueles livros… Decidiu cursar Biblioteconomia – olha, que eu conheço gente, mas que cursou isto, apenas ele! – trabalhou aqui e ali, sempre me chamava para almoçar com ele, me apresentava todo mundo, Carlos sempre foi um camarada esplêndido!

TROCANDO IDEIAS, PEDINDO CONSELHOS? Bem, horas a fio isto nem se comenta…

ELE CHEGOU NA GLOBOSAT, EU NA PRODUÇÃO TEATRAL. Meu primeiro projeto de Espetáculo passou pelas mãos dele, para melhorias e correções. Não parou aí: assistiu a todas as minhas Produções, e mais: trabalhava nos bastidores, vocês acreditam? Especialmente, quando o nosso eterno João reis Ferreira, seu adorado tio, trabalhou no Palco comigo. Friso: o melhor artista, com quem eu dividi o Palco, um orgulho para mim!

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QUANDO ELE FOI PARA A NOITE, organizando lindas Festas, ele lembrou-se de mim. Foi a primeira vez, que eu me apresentei fazendo imitações. O “Reinado do Silvio Santos” iniciou-se naqueles dias, e cheguei a fazer isto até mesmo no Circo Voador… Tudo começou por sugestão e inspiração do Carlos Eduardo… Fosse nos melhores ou nos piores momentos, Carlos Eduardo sempre foi meu amigo!

NOITADAS A DENTRO, estivemos juntos, tendo ainda Rubens Lopes, meu Compadre, integrando o Trio. Aliás, foi o Rubens quem me apresentou ao Carlos. E, em 90% do que vocês leram acima, o Rubens estava presente. Adivinha quem levou o Carlos, no meu apartamento, naquele 5 de outubro de 1997?

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“NEM TUDO ERAM ROSAS”: certa vez, andando pelo Leme, Carlos reclamou que o Rubens e eu só falávamos de bobagens, a cerca dos programas do Silvio Santos. Ele queria uma conversa mais “cult”, então sugeriu que falássemos de Noel Rosa. Ao que eu disparei: “voltamos ao mesmo assunto!”. Carlos disse não saber porque, ao que eu respondi: “Quem fora a maior intérprete de Noel Rosa?”, respondeu o Carlos: “Aracy de Almeida”, então disse eu: “Que era a jurada enfezada…”, ao que arrematou o Rubens: “Do programa do Silvio Santos!”…

FAZ MUITA FALTA A COMPANHIA DELE. Não nos vemos já faz um bom tempo – desde a sexta-feira de Carnaval do ano de 2013! – uma vergonha… A única coisa que lamento mais que não vê-lo, é saber que uma das suas marcas registradas – o violão! – está quieto, sentindo saudades dele também…

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APAIXONADO, INSPIRADO, VALENTE, DETERMINADO, CONSCIENTE, meu chará mais que tão querido, não tenho mais o que dizer, porque definitivamente, eu não consigo mais… Como nunca, eu afirmo: o aniversário é seu, mas fomos nós, os seus amigos, quem receberam o presente, e em se tratando de você, que benção! Que Deus, nosso Senhor, te guie, ilumine, acompanhe, te proteja! Você merece muito mais do que você pede, mais do que lhe desejamos! Continua com a gente… Muito obrigado por absolutamente tudo!

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PARABÉNS PRA VOCÊ!

Deste seu bom e velho amigo,

AQUELE ABRAÇO!

15
set
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IANE COUTINHO – REGISTRO


559910_545650882129138_515837674_nO ANO ERA 2005, E CARLOS PIMENTA OFICIALMENTE OCUPAVA SUAS OBRIGAÇÕES DE EX-ALUNO DA MABE. Todo ex-aluno tinha alguma função no “Vetusto Educandário“. A volta à MABE se deveu, em virtude do seu primeiro amor: o Teatro de Amadores da MABE, onde tudo começou. O Espetáculo – como tudo na MABE – seria grandioso. Se não bastasse simplesmente reunir Astros e Estrelas dos quase 70 anos de história do TAM, o Ballet da MABE também faria parte da fantasia teatral “A Roupa Nova do Imperador“, adaptação da Jô Fontes, musicada pelo Jerry Adriani. Enfim, algo tipicamente mabeano. É lógico que o colégio era outro, o tempo havia passado. Pela primeira vez na vida, eu estava usando um microfone em cena; nos dias do Carlos Nobre, Jorge da Costa e do eterno Dr. José Fontes, era “garganta, pra que te quero!”. Por acaso, eu estava de terno, quando fui até lá, rever meus bons e velhos camaradas, e conhecer os novos amigos – uma geração de novos atores já existia lá… Mas, eu percebia que havia uma certa preocupação, pelo fato de o Ballet fazer parte do Espetáculo, e sempre havia aquela pergunta: “quando se fará o ensaio em conjunto?”, e me perguntavam se eu não me preocupava. “Me preocupar com o Ballet da Jô? Me preocupo mais comigo em cena!”, assim o Super Bacana voltava a decorar seu texto, enquanto o próprio Jerry não vinha ensaiar as partes nas quais eu cantava… A verdade é que, um velho hábito ainda perdurava na MABE: queriam mesmo era ver as belas bailarinas em ação, conhece-las, e aí conversa vai, conversa vem… E vinham até mim, me incomodar com o velho e manjado “me apresenta aí!”… Mas, eu estava mais interessando no pós-ensaio, que muitas vezes foi pré-ensaio, com o Arnaldo, o Gilberto e eterno Jorge Nelson ali, no botequim em frente à MABE…

1467388_727338377293720_939225962_n     IANE COUTINHO se fez notar, da maneira mais simples do universo: uma beleza toda sua, fora do padrão estabelecido, bem brasileira, além de um amor incondicional à dança! A primeira foto que postei mostra bem a Iane que eu conheci, com 17 anos de idade. Pretendentes nunca faltaram, mas todos pararam diante de um Leão de Chácara que, sempre que podia, se fazia presente aos ensaios, no melhor estilo “não basta ser mãe, tem que participar!”… Ali, nos bastidores, nossa amizade começou, e ficou reforçada pelo enorme carinho que eu vi Iane ter pelas minhas duas filhas, na época com 4 e 3 anos ambas. Iane literalmente ficava pra cima e pra baixo com as meninas. E conversa que corria à solta, sempre! Claro que isto não ficou impune: as línguas ferinas diziam que eu era o único homem que conversava com a Iane, mas o Leão de Chácara já havia me batizado de “Viado Velho“, e a Jô Fontes já havia ouvido N reclamações a respeito… Gargalhadas, muitas gargalhadas. Uma garota de cabeça feita, inteligente como pouca gente, decidida, determinada, que sabia bem o que queria da vida, muito bem criada. Simplesmente adorada pelo pais, pelas professoras do Ballet e amigos, sua festa de 18 anos – eu estava lá! – foi onde pude constatar não apenas as coisas descritas acima, mas principalmente a fortaleza do seu caráter! Acima de tudo, a beleza do humano permeava sua personalidade…

10577131_289580351229655_161792961199105247_nO TEMPO CORREU, e durante todo seu Segundo Grau, nossa amizade se fortaleceu: com a entrada das minhas filhas na MABE, mais as minhas funções de ex-aluno, fizeram-me uma pessoa muito mais presente no dia a dia do colégio, o que eu simplesmente adorava. Iane, sem qualquer constrangimento – ela era minha amiga! – me introduziu à realidade da MABE de 2006, tão distante da minha, dos Anos 90. Em outras palavras, a Iane disse: “ele é uma peça do Museu da MABE, mas destas que se pode tocar!”, dos novos amigos, de cara, o Ariel roubou a cena, a Luyra que queria ser Modelo, Crislaine queria ser Psicóloga, além da nossa eterna Amanda, que chegou a ser o Coronel da Quadrilha da Festa Junina que eu comandava – minha quadrilha, minhas regras! – cada instante vivido com esta turma fora um simplesmente um verdadeiro privilégio, iniciado nos bastidores do Teatro… Ah, o Ariel era um Padre afrescalhado, a Luyra a Mulher Samambaia – eu disse, minha quadrilha, minhas regras! Um dos melhores Casamentos na Roça que eu já participara… E, a Iane sempre por ali, torcendo, participando, sendo ombro amigo! Não pensem que, com sua Formatura rumo à Faculdade – onde passou em primeiro lugar, a danadinha! – a Amizade acabou: nunca o telefone fora tanto usado, jamais deixando de perguntar pelas minhas meninas…

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Sabe Iane, honestamente: nada mudou! O Tempo não passou, os amigos não passaram, e isto me faz muito feliz!

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EU DE TERNO E ELA NA BECA! Um início de juventude com muito estudo, muito esforço, muita luta, muita determinação. Sei porque, às vezes, quando ela cansava de estudar, ela dava um telefonema rápido, se animava, e caía de novo nos livros! Passou, com louvor, em duas universidades públicas… Sorry, Periferia!

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     AGORA, O SEGREDO DO SUCESSO, porque eu o sei: Iane sempre fora fiel à sua essência! A mulher que se tornou está bem aqui, nesta imagem onde percebe-se o carisma, a simpatia, a disciplina – a foto tem pose mas ficou espontânea! Um Luxo! – sua beleza sempre existiu, porque não é o tipo de coisa que se faz com maquilage ou tratamentos: vem de dentro de uma personalidade íntegra, sem rodeios e honesta, sobretudo consigo mesma! Eu olhava a Iane com minhas filhas, e dizia: “que as minhas sigam este exemplo…  Será que essa história de “passa por osmose” é verdade?”…

1451360_760582573956702_94397311_nSUA HISTÓRIA, seu destino, sua vida, todo este poder sempre lhe pertenceu! Você pode fazer absolutamente tudo o que deseja, porque na verdade, foi o que sempre aconteceu! Fui um privilegiado, não apenas em ser seu amigo, mas em especial, por ter estado ao seu lado, nestes 10 anos de amizade, sendo a mais fiel das testemunhas, a cerca de cada etapa vivida, cada vitória conquistada, os desejos mais simples de adolescente, a caminhada com os próprios pés, o Mundo dos Adultos onde, mais do que nunca, a força da juventude, o coração de criança e a alma de bebê são ouro puro! Palavras escritas com emoção, lágrimas de alegria, uma honra ver a mulher que você se tornou! Neste seu aniversário, que estas minhas palavras lhe encontrem, cercada de paz, carinho, luz, amizade, muito amor, saúde! Que Deus, nosso Senhor te abençoe hoje e sempre, conservando o melhor que você tem, e desde sempre: sem incomensurável CORAÇÂO DE OURO!!!

     Estamos todos aqui, onde sempre estivemos: no lado direito do peito! O Ariel, certamente, vai aparecer com aquele rocambole Pullmann e palitos de fósforos… E, cá entre nós? Que falta, estas coisas nos fazem…

     MINHA AMIGA TÃO ESPECIAL: PARABÉNS PRA VOCÊ!!!

Deste seu velho amigo,

AQUELE ABRAÇO!

07
set
15

UMA VIDA DE LEMBRANÇAS NO 7 DE SETEMBRO


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     ÉRAMOS PREPARADOS, com afinco, pela Madre Superiora, a Irmã Sineide – muito séria, firmemente executando aquele bumbo – marcando cada passo, alinhando os alunos para a Marcha Cívica do 7 de Setembro, que nossa escola, junto com outras tantas, mais os Quartéis realizavam na Quinta da Boa Vista, na Semana da Pátria. Visitas aos Quartéis eram pauta também, naqueles dias.

     Não que isto fosse exatamente uma novidade para nós, especialmente para mim, nascido no bairro de São Cristóvão, passando minha primeira infância na própria Quinta da Boa Vista, nossa escola ao lado da Quinta, vendo sempre os soldados executando marchas e corridas pelo bairro, pela Quinta, parque que, na minha infância, recebia nos domingos gente de toda parte, que assistia os quartéis exibirem todo maquinário do Exército Brasileiro, em exposição com militares in loco, explicando tudo sobre eles, especialmente os orgulhos nacionais, os tanques Cascavel e Urutu…

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     Minha infância no 7 de Setembro tinha o uniforme da escola limpíssimo, sapatos pretos engraxadíssimos, as Freiras conferindo os mínimos detalhes. Estávamos em São Cristóvão, o bairro Imperial, na Quinta residência dos Monarcas brasileiros, um bairro desde sempre rodeado de quartéis, a casa da Marquesa de santos que virou um Museu… E, tudo isso recebia um verniz especial, graças ao Regime Militar, vigente naquela época…

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     Marchávamos, todos juntos, era lindo, era rápido, fazíamos parte da grandeza da Nação, pensava assim minha cabeça de criança que, nunca se cansava de ver aqueles tanques sendo guiados pela avenida principal da Quinta, com aquelas esteiras que eram um enigma para mim – como eles faziam para dobrar à direita, como se fazia para manobrar aquele gigante, que fazia o chão tremer em seu passeio, marcando naquele asfalto bruto seu rastro…

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     O meu último ano, naquele pequeno colégio, gerou uma preocupação em mim, pois talvez não mais marcharia na Quinta… Bobagem: o colégio para onde eu fui, o grande Colégio Pedro II só perdia em número no desfile para os militares… Imaginem: um colégio chamado Pedro II, criado pelo próprio Pedro II, não se faria presente ali? Ainda mais que, a maior unidade daquele educandário ficava bem ali, em São Cristóvão…

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     E, os anos foram passando, o governo dos Militares acabou, o país marchava ao passo civil, e meu amor pelo 7 de Setembro com seu desfile cívico continuava. Nos mudamos, no fim dos Anos 1980, de São Cristóvão para o Centro do Rio de Janeiro, o que simplesmente me fez assistir, por longos anos, os Desfiles Militares na grande Avenida Presidente Vargas, em pleno 7 de Setembro!

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     Era 1989, na minha cabeça de início de adolescência, disse a mim mesmo: “a coisa ficou séria agora!”!

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     Era o Centenário da República do Brasil!  Assisti a Glória das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – aviões e helicópteros voando baixo, salvas de canhões de dentro do Campo de Santana – onde a República fora proclamada! – Cabalaria, Blindados, Militares, Colégios, os Veteranos da Segunda Guerra, entidades civis como a Legião da Boa Vontade – LBV – até a Comlurb – a Companhia de Limpeza Urbana – marchavam no 7 de Setembro!Pedro I

     Naqueles dias, muitos quadros foram restaurados, os Museus exibiam com orgulho quadros imensos, a população recebia “O Grito da Independência”, “A Batalha Naval do Riachuelo”, dentre outros, todos até hoje lá, em uma galeria imponente no Museu Nacional de Belas Artes, na Avenida Rio Branco, Centro do Rio, lugar que se tornou, por um bom tempo, minha segunda casa.

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     As Freiras e as aulas de Música no Pedro II, e até mesmo a minha Mãe em casa – ela vivia a cantarolar “‘O Cisne Branco, Em Noite de Lua…” – me possibilitaram acompanhar uma coisa que, desde minha infância, eu adorava: as Bandas Militares e os Hinos Oficiais executados sempre. No Centro, eu cansei de acompanhar os ensaios da Banda do Corpo de Bombeiros Militares, no quartel central da corporação… Uma certa canção que, com vergonha admito, até hoje não sei o nome, mas simplesmente me faz “sair marchando”, sempre que ouço, uma canção sempre executada no desfile de Cavalaria Mecanizada, algo que conheci graças a uma paixão que conservo até hoje: O DESFILE CÍVICO MILITAR DE BRASÍLIA!

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff chega em carro aberto para assistir ao desfile de 7 de Setembro

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff chega em carro aberto para assistir ao desfile de 7 de Setembro

     Talvez, a única coisa que trouxe de desde minha infância que conservo até hoje – além do meu próprio nome! – esse desejo enorme de assistir, em Brasília, o Desfile de 7 de Setembro! Na época do Governo dos Militares, lembro bem da emissoras de televisão cobrindo os desfiles de 7 de Setembro. Hoje, apenas as Redes Públicas de Televisão – hoje, a chamada Rede Brasil – no Rio de Janeiro, o canal 2, antiga TVE, faz esta cobertura.

Brasília - DF, 07/09/2012. Presidenta Dilma Rousseff durante o desfile cívico-militar de 7 de setembro.Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Brasília – DF, 07/09/2012. Presidenta Dilma Rousseff durante o desfile cívico-militar de 7 de setembro.Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

     Não se trata de política ou partido: de todos os presidentes que eu assisti neste desfile, tenho carinho pela presidente Dilma que, sempre que pode, mostra-se como uma membro da resistência ao Regime Militar mas, a frente desta nação, não desmerece a importância das Forças Armadas no Brasil de hoje! Não se trata de política mesmo, pois não gosto do PT, mas reconheço que os governos que mais investiram nas Forças Armadas foram o do presidente Lula e da atual presidente. Lembrem-se: devemos, por patriotismo e civismo, respeitar a pessoa que está a frente da Presidência da República, Comandante em Chefe das Forças Armadas do país, pessoa eleita democraticamente pela Nação. A “candidata Dilma” – assim como o “candidato Lula” – não recebeu meu voto, mas tem meu respeito absoluto, e desejo participativo para que realize um grande governo. É bobagem desejar o contrario: o fracasso do governo é a catástrofe de nossa nação, não devemos ambicionar isto, é indigno do 7 de Setembro tal coisa… Pessoalmente, considero um charme “uma presidenta” neste Rolls-Royce, nesta cena onde batedores em motos Harley Davidson mais um blindado nacional acompanham a presidente, é cinematográfica!

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     A história do Brasil desfila em Brasília: os Dragões da Independência, Bateria Caiena, e a Esquadrilha da Fumaça, tão brasileira, arrojada e moderna, encerrando com beleza e otimismo, orgulho e civismo, o lindo desfile da capita Federal. Mesmo em seus dias mais difíceis – houve época em que, sequer combustível fora fornecido para os carros de combate desfilarem! – quando nossas Forças Armadas sofrera um legítimo sucateamento, nossos Militares nos proporcionaram o Desfile de 7 de Setembro, sem reclamações ou críticas, no melhor estilo militar: Missão dada é Missão Cumprida. Como eu sei? Conheço a Família Militar, ouço sobre suas lutas, mas não vejo um único militar lamentar, porque eles sabem bem que quando um militar lamentar, a Nação perderá seu sentido de existência!

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Nesta data tão especial – Nossa Data Nacional – que o nosso bom Deus guie as mentes que dirigem nossa nação, abençoe o povo brasileiro, carinhosamente fortaleça nossas Forças Armadas! Deixo aqui, com a alegria das lembranças vividas, o amor pelo meu Brasil, esperanças de um futuro tão grande quanto nossa extensão territorial, algo que só não é maior que as pessoas que são este país, meu Hino favorito, aprendido nos meus dias de Pedro II, quando seu autor – Maestro Guerra Peixe – era um professor aposentado da instituição: FIBRA DE HERÓI.

05
jun
15

LARA RAISSA KOLBOW SOARES


5 de junho de 2015 – Parabéns, Lara!

Blog do Pimenta

     HOJE, 5 de junho de 2010 é aniversário da minha filha mais nova. Amo minha Lara! Ela lutou pela vida, e a sua primeira vitória foi superar a incompatibilidade saguínea, que existia entre o sangue da mãe dela e o meu, o conhecido fator RH. No 5º mês da gestação, quase ocorreu um aborto espontâneo. A gravidez foi dura. Após o parto, a mãe dela ainda precisou passar por uma cirurgia, o que atrasou a primeira amamentação dela; o Banco de Leite da Maternidade estava vazio, e eu fiquei “enganando” a Lara, com meu polegar, no sentido de acalmá-la. Lara sugava forte meu dedão, passava um tempo, e voltava a chorar. Os médicos permitiram a amamentação, mas breve, para dar continuidade à cirurgia. Lembro-me bem, da primeira vez que a Anne, que tinha pouco mais de um ano, viu a Lara, pela primeira vez, ainda na Maternidade. Anne dormiu…

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31
mar
15

COLÉGIO DA MABE – 94 ANOS


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     Morando no Centro do Rio e estudando no Méier, isto estava com seus dias contados, no longínquo 1992 do impeachment do Collor: em 1993, minha mãe me queria estudando perto de casa. Fomos primeiramente em um colégio no Catete, onde entrava-se às oito da manhã e saía-se às onze, eu mesmo não quis estudar lá; o que se aprende, em uma carga horária tão parca? Minha Mãe foi a um certo colégio alemão, que exigia uma prova para aceitar o aluno. Minha Mãe questionou, pois se tratava de uma escola particular. O senhor da secretaria nos disse “bem, aqui é um colégio alemão”, ao que minha Mãe – quem a conheceu, sabe bem deste estilo – sem levantar um decibel da voz ou esboçar surpresa respondeu: “bem, o dinheiro que uso para pagar é moeda nacional”. O colégio alemão babou…

Um gigantesco colégio católico se descortinava em minha frente – mais uma vez, o convento! – quando, uma vizinha nossa disse: “Porque você não vai à MABE? É um bom colégio!”. Ah, mencionou alguma coisa sobre o Jerry Adriani também…

Era uma sexta-feira muito chuvosa, às vésperas do Carnaval daquele ano. Devia ser perto das 20 horas, fomos até a MABE. Para surpresa nossa, quem estava na secretaria era a dona Zezé – para o leitor querido, sobretudo se for alguém da grande família Mabeana, não há nada demais. Acontece que a dona Zezé de vocês era a minha dona Maria José, a quem eu conhecia desde um sempre. É que eu estudei até a Quarta Série, em um colégio que ficava dentro de um convento, com a filha mais velha dela! Devo admitir que ver a dona Maria José já me deixava “em casa”…

“Está tudo escuro, e com tanta chuva, a pista de Atletismo deve estar alagada”, disse a dona Maria José, mas eu queria ver o colégio, ela não negou isto ao “coleguinha da Paulinha”. Vi mais do que se poderia imaginar: aquele prédio centenário, todas as árvores da cidade estavam lá dentro! Quantos troféus, aquelas inúmeras fotografias do Teatro e do Ballet… Eu queria a MABE, minha Mãe consentiu.

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     Absolutamente tudo na MABE era diferente, das coisas que eu vivera em outras escolas. Posso dizer isto, porque o “Vetusto Educandário” – é, eu lia as circulares, cheguei a colecioná-las! – foi o quarto colégio no qual estudei. No primeiro dia de aula  fui apresentado a um cartão de entrada, com o qual eu deveria diariamente “bater o ponto”, uma novidade que também foi apresentada às minhas filhas, em seus dias de MABE, pela mesma pessoa:

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O SR. FERREIRA! – Aqui, junto do Sergio.

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     Meu destino começava a mostrar para mim tudo o que seria todo o resto da minha vida: minha primeira sala na MABE era a de n° 13, em frente à Mangueira – o professor Antonio Sá disse certa vez: “eu cheguei (à MABE) em 1966, e ela já estava ali – em cujo bloco de pedra conversas, amizades, confidências, lágrimas, paixões, segredos, sofrimentos, brincadeiras, um Mundo inteiro foi idealizado, pelo simples fato de se sentar ali. Aquela pedra tinha o poder divino de erigir o futuro, de quem se sentasse ali, para pensar nisto…

     Entrei naquela sala, com minha famosa pasta preta, acreditem, meus futuros coleguinhas, aspirantes a amigos de uma vida inteira, pensaram que eu era um professor… Bem, o verdadeiro professor não demorou um único instante a chegar, e como disse, o destino estava a me mostrar absolutamente tudo: aquele certo professor, constantemente associado a própria Face do Mal, por inúmeras gerações de ex-alunos, seria o responsável por minha Mãe, em 1995, transferir-me para o derradeiro colégio, da minha vida de aluno.

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     Em um mês, eu já lidava com todos os meus colegas de classe. A primeira pessoa com quem conversei foi Cristina Rodrigues, o segundo Marcelo José. Nesta altura, o Alan já havia proibido que me sacaneassem, embora o Andrés, sem sucesso, o tentara. Andrés, que atendia na época a alcunha de ”Anasta”, também ficara famoso por correr a sala inteira, e lançar todo o seu monstruosos peso sobre uma rachadura no fundo da sala. A rachadura sobreviveu a mais um insucesso de Andrés. Clóvis já havia me aconselhado “a me revoltar”, Petty ria da minha cara, eu ria do Wagner, do Evandro e do Alexander, vugo “Cachorro”. Convivendo com Rafael Bigel, Zé Inácio e Juan, quando me dei conta, ria da maneira como gargalho até hoje. Encarnavam no Franklin, tendo o Luis Carlos Gomes ao lado, sempre quieto, provavelmente acreditando que seria o próximo a ser encarnado. Rubens ficava na periferia, no melhor estilo “come calado” – se tronaria o meu maior amigo! – de um lado, Marcus Coringa e seu bordão ‘Bonito!”, Erislane – outro dia, no noticiário, apareceu algo que aconteceu em Formosa, Goiás, como eu ri! – Tatiane e seu bordão “rala peito”, mais a “Cacau” Claudinha e a Cristina Rodrigues.

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     Aí, vinham Pia e Roberta inseparáveis, Cristina Dias – nossa adorável Nina, um encanto de pessoa, ao lado da Ludmila – um pequeno segredo aqui: meus colegas de classe cansaram de ver os embates entre aquele professor que era a Face do Mal e eu, o que eu jamais exitei dentro do que a razão me permitia. Entretanto, a única pessoa com quem eu não queria me indispor, de maneira alguma, era com “a marrenta” da Ludy, porque certamente se tivéssemos brigado alguma vez, hoje não existiria Carlos Pimenta para escrever estas palavras… A mais forte personalidade que eu já vi, em toda a minha vida! – anos depois, eu teria a honra de ver as duas, na primeira fila, da minha primeira produção teatral…

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Tatiana Vilella colada com Wagner e Aretusa, a Tatiana Mele, um docinho de pessoa, sentava-se do meu lado na sala. Outro docinho de pessoa era a Sandra Catarina. No miolo da sala estavam Marcelle, Elisângela e o Fred – sim, Frederico Carlos, hoje marido dela. Ele nunca estudou na MABE, mas ela falava tanto dele, que ele já era figura presente! -a Vivian e a Simone, as quatro falavam mais do que a sala inteira reunida. Na ponta, em frente ao professor, Tatiana Porto, a Marcia, a Marilene, a Rosiene, a Lucielba, a Claudia Gladys, a Camila e o polêmico Paulinho. Até hoje mantenho minha promessa à professora e sambista Ana Reis, a respeito de maiores considerações sobre ele, favor não insistam!

     Aquela primeira semana, conhecemos a professora Rosária de português, a Cecília de biologia I e o Vitor de biologia II que, sempre que pode, falava sobre AIDS a quem quisesse ouvir. O Mestre José Antonio de história, que vivia a evocar o rei Artur, meu contra parente Renato Pimenta de física, Maricleide e seus experimentos in loco (lembram-se do encontro da lamparina – do Rafael Bigel parece – e do Andrés?) E Maria Angélica de Quimica I e II, o Márcio de Inglês, a charmosa Rosa Maria de Literatura, a Marcia de Moral e Cívica que, cá entre nós, não cheirava e nem fedia, além da professora Cristina de Redação, que carinhosamente fora apelidada de John Lennon..

     E, inesquecivelmente, aquele professor de geografia, a quem apelidaram de “Beto Barbosa do adocica”, com um camisão estampadíssimo, aberto uns três botões, um monte de mapas de todos os países, de todos os planetas do sistema Solar debaixo do braço, avisando que no domingo haveria show do Milton Nascimento no Arpoador, e que ele estaria lá: o sr. Adilson Sacramento!

     Então, comecei a escrever meu Jornal – que o colégio inteira lia, inclusive o prof. Roberto Fontes! – contei algumas piadas, e satirizando o Marcelo José, que ficava gritando “Oe” a torto e a direita, eu imitei o Silvio Santos dizendo ‘Oe”.

     Minha vida não seria mais a mesma!

     De início, a Tatiana Mele me pedia, de cinco em cinco minutos, para imitar o Silvio. Depois, a maioria dos professores davam os 15 minutos do fim de cada aula apenas para as minhas imitações – é claro que a minha turma adorava: quem não gosta de menos aula?

     Em abril, o manicômio fechou suas portas, com o retorno da Raquel Lenti a MABE, nos tornamos, de cara, grandes amigos. Sob a chancela do Marcelo José e do Alan cheguei à Festa Junina, sob as honras do Evandro fui apresentado ao Sr. Fernando Fontes, que viu cada uma das minhas imitações. Riu de absolutamente nada. Disse apenas uma coisa: “Já está escrito no Teatro de Amadores da MABE?”

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     Assim foi o início do resto da toda a minha vida. A MABE está viva, porque eu estou vivo! Uma lembrança muito viva, daquele primeiro mês na MABE foi o dia 31 de março, aniversário do Colégio. Foi a primeira vez que vi a grandeza da MABE – seus alunos! – em um alvoroço, que se chamava “Gincana Mabeana”. Eu nunca participei dela, mas fui assistir. Aliás, todos nós nos fazíamos presente. O destaque, na minha opinião, sempre foi a Nina…

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ESTA DATA É NOSSA, POR ISSO, EU A CELEBRO! PARABÉNS À TODOS!

31
mar
15

BLOG DO PIMENTA 450 ANOS


QUEM É CARIOCA

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     Claro que não precisa nascer no Rio para ser genuinamente carioca, ainda que haja nisto um absurdo etimológico. É notório que há cariocas vindos de toda parte, do Brasil e até fora do Brasil.

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     Ainda há pouco tempo chamei Armando Nogueira de carioca do Acre, nascido na remota e florestal cidade de Chapurí. Armando conserva, de resto, a marca acriana num resíduo de sotaque nortista, cuja aspereza nada tem a ver com a fala carioca, que não cospe as palavras, mas antes as agasalha carinhosamente na boca. Mas não é maneira de falar, ou apenas ela, que caracteriza o carioca.

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     Há sujeitos nascidos, criados e vividos no Rio – poucos, é verdade – que falam cariocamente e não tem, no entanto, nem uma parcela de alma carioca. Agora mesmo estou me lembrando de um, sujeito ranheta, que advém de sua azia espiritual. Este, ainda que o prove com certidão de nascimento, não é carioca nem aqui nem na China.

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     E assim, sem querer, já me comprometi com uma certa definição do carioca, que começa por ser não propriamente, ou não apenas um ser bem humorado, mas essencialmente um ser de paz com a vida. Por isso mesmo, o carioca, pouco importa sua condição social, é um coração sem ressentimento.

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     Nisto, como noutras dominantes da biotopologia do carioca , há de influir fundamentalmente a paisagem, ou melhor, a natureza desta mui leal cidade do Rio de Janeiro.

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     Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, é impossível a gente não sofrer um certo afeiçoamento imposto pela natureza. A paisagem, de qualquer lado que o olhar se vire, se oferece com a exuberância e a falta de modos de um camelô.

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     O carioca sabe que não é preciso subir ao Corcovado ou Pão de Açúcar para ser atropelado por um belo panorama (belo panorama, aliás, é um troço horrível). Por isso mesmo, nunca um só carioca foi assaltado no Mirante Dona Marta, que está armadinho lá em cima à espera dos otários, isto é, dos turistas.

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     Pois, o carioca não é, o que ele menos é – é turista. O que caracteriza o carioca é exatamente uma intimidade com a paisagem, que o dispensa de encarar, por exemplo, a Praia de Copacabana com um olhar que não seja rigorosamente familiar. O carioca não visita coisa alguma, muito menos a sua cidade, entendida aqui como entidade global e abstratamente concreta. Ele convive com o Rio de igual para igual e nesta relação só uma lei existe, que é a da cordialidade. O carioca está na sua cidade como o peixe no mar.

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     Por isso, qualquer sujeito que não esteja perfeita e estritamente casado com a paisagem ou, mais do que isto, com a cidade, não é carioca – é um intruso, um corpo estranho. E é isto que transparece à primeira vista, não adianta disfarçar.

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     O carioca autêntico, o genuíno mesmo, esse que chegou ao extremo de nascer no Rio, esse não engana ninguém e nunca dá um único fora – sua conduta é cem por cento carioca sem o menor esforço. O carioca é um ser espontâneo, cuja virtude máxima é a naturalidade. Não tem dobras na alma, nem bolor, nem reservas. também pudera, sua formação, desde o primeiro vagido, foi feita sob o signo desta cidade superlativa, onde o mar e a mata – verde e azul – são um permanente convite para que todo mundo saia de si mesmo, evite a própria má companhia – comunique-se.

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           Sobre este verde e este azul, imagine-se ainda o esplendor do sol que se apaga, mas não se ausenta. Diante disto e de mais tudo aquilo que faz a singularidade da beleza do Rio, como não ser carioca?

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      Apesar de tudo, há gente que consegue viver no Rio anos a fio sem assimilar a cidade e sem ser por ela assimilada. gente que nunca será carioca, como são, por exemplo Dom Pedro II e Vinícius de Moraes, autênticos cariocas de todos os tempos, segundo Afonso Arinos. A verdade é que nem todo mundo consegue a taxa máxima de “cariocidade”, que tem, por exemplo, um Aloysio Salles. No extremo oposto, está aquele homem público eminente que vi passeando outro dia em Copacabana. Ia de braço com a mulher e, da cabeça aos sapatos, como dizia Eça de Queiroz, proclamava a sua falta de identificação com o que se pode chamar “carioca way of living”. Sapatos, aliás, que não eram esporte, ao contrário da camisa desfraldada. Esse é um que não precisa abrir a boca, já se viu que está no Rio como uma barata está numa sopa de batata, no mínimo por simples erro de revisão.

     “Quem é carioca”, Otto Lara Resende, Antologia Escolar de Crônicas, Edições Ediouro, Rio de janeiro, 1975.

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O mineiro Otto Lara Resende (1922-1992), Jornalista,Escritor, Membro da Academia Brasileira de Letras.

Créditos das Fotos, em sequência: 1 – Ângulo do Cristo Redentor e a cidade do Rio de Janeiro; 2 – O jornalista e cronista esportivo Armando Nogueira (1927-2010); 3 – O Prefeito do Rio de Janeiro, o carioca Eduardo Paes; 4 – Este colunista, o carioca Carlos Pimenta; 5 – A praia do Arpoador, à noite; 5 – O centro da cidade do Rio de Janeiro, fotografado da baía da Guanabara; 6 – O mirante Dona Marta, na apresentação da banda Natiruts; 6 – Tradicional Cartão-Postal de Copacabana – 7 – O presidente da Câmara dos Deputados, o carioca Eduardo Cunha; 8 – O Rei do Rio Adilson sacramento, 50 anos de Cidade Maravilhosa; 9 – O pôr do sol em Copacabana; 10 – Os escritores Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos.

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ADILSON SACRAMENTO – NASCIDO EM 5 DE AGOSTO !!!


Blog do Pimenta

PARA TODOS QUE CANSARAM DE OUVIR O ADILSON FALAR SÓ DO PERU (MACHU PICCHU), HOJE, O BLOG DO PIMENTA COLOCA O ETERNO REI DORIO, NAS MAJESTADES DAS TULHERIAS! O Rio de Janeiro pára hoje, neste que é considerado um autêntico Feriado: O Aniversário do Adilson! A pessoa mais adequada hoje, para falar do Adilson, seria evidentemente o Amaury Jr.; na ausência deste, ficamos comigo mesmo!E assim, vem uma verdadeira sucessão de opiniões, como “falar do Adilson é mais fácil que falar mal do Collor“, ou “falar sobre o Adilson é mais difícil doquê entender as novelas da Glória Perez“, ou “não troco a companhia do Adilson nem pela da Ariádna“, ou “melhor que um Adilson só sem EduardoPaes“, ou “tem duas pessoas, do meu tempo de escola,que eu nunca esqueci: o Professor…

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