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CARLOS EDUARDO FERREIRA – TRIBUTO


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EM 3 DE OUTUBRO DE 1997, CARLOS EDUARDO FERREIRA ENTRAVA, ASSUSTADO COM A CENA QUE VIA, NO MEU APARTAMENTO. Uma área de ópera, no último decibel, era a trilha sonora. Uma luz vermelha – retirada horas antes de um São Jorge! – mal iluminava a sala, junto com algumas velas. Na mesa de jantar, estava um Carlos Pimenta numa espécie de transe, com um copo d’água, uma vela acesa, tentando “com o poder da mente”, fazer alguma coisa com o garfo, que segurava na mão. Carlos Eduardo, pálido, sem entender coisa alguma, me toca no ombro, e pergunta: “Carlos: está tudo bem?”. Eu disse que não, e dei a “deixa”, para que os convidados da festa surpresa surgissem… Pena que as fotografias desta noite – diga-se de passagem, a última festa que eu fizera no antigo apartamento da rua Washington Luís – perderam-se no tempo…

TEMPO… São apenas 22 anos dividindo mais que o mesmo nome. Entre muitas lágrimas, um oceano de inúmeras lembranças, as palavras perdem-se na tentativa infrutífera de falar sobre o Carlos em apenas um texto, homenageá-lo apenas neste meu Blog, ele que, como vocês poderão constatar nos próximos parágrafos, em uma vida inteira, fez apenas duas coisas para mim, que foram mais do que um tudo que tantos já fizeram: Calos Eduardo Ferreira me chamou de AMIGO desde o dia em que nos conhecemos, e esteve INCONDICIONALMENTE ao meu lado, em tudo!

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SER AMIGO DO CARLOS é, de regra, ser amigo de toda a sua família. Mas, a sua família tem um defeito terrível: eles fazem com que nos sintamos gente da família! Logo, fica muito fácil de se entender porque eram tão festeiros, e queriam a todos nós sempre em suas festas…

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EU SEMPRE FUI BEM VINDO, mas como vocês todos sabem, este nunca foi um privilégio exclusivo meu. Carlos, de longe, foi o amigo que mais me incentivou a entrar no Teatro, e a batalhar pela minha carreira. Sugeria um mundo de coisas, e ficava no meu pé, principalmente quando não lhe dava ouvidos. Aí, a coisa ficava séria, porque ele ia até a minha casa, e não saía de lá até eu mudar de ideia…

O CARLOS É MUITO MAIS IMPORTANTE PARA MIM, do que eu jamais pudera, jamais conseguira dizer. Poucas pessoas tiveram tanta influência, tanta consideração por mim, tamanho respeito, mais uma vez afirmando: isso nunca foi uma exclusividade minha. Ele é assim, para com os amigos…

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OS INIMIGOS? Carlos não os tem, porque ele perdoa, ele tem bom coração. A raiva dá e passa, ele sempre foi assim… Eu esbravejava horrores sobre algo, vinha ele bem conciliador…

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E, SE ELE NÃO BASTASSE, aí ele chamava o Paulo, chamava nossa amada Dona Laura, com nosso Paizão  SEU Juventil, a cada cinco segundo, dizendo algo engraçado… A Felicidade sorria para nós, todos os dias, em que íamos até a casa deles, mas com 16 anos, quem se dava conta disso…

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MAS, O CARLOS FORA DETERMINANTE NA DECISÃO QUE MUDAVA MINHA VIDA: em função de um certo professor, que era a própria Face do Mal, minha Mãe já havia decidido que eu não estudaria mais na minha amada MABE. Carlos Eduardo estudava no Colégio Estadual Sousa Aguiar – o CESA – e, sempre falava maravilhas de lá: Filosofia, saraus de Música e o Teatro, que existia lá também! Além do fato de, tantos dos nossos amigos da MABE haverem migrado para lá. Eu decidi: me transferi para o CESA! Minha mãe não se opôs, aliás adorou: não precisou pagar mais mensalidade…

SORTE GRANDE: ESTUDAMOS JUNTOS, e dos meus dias de MABE tínhamos ainda a Aretusa, na mesma sala! Aquele 1995 fora uma Festa! Chegamos até a montar um show, em 5 de agosto – Dia do estudante! – onde, todos os colegas artistas do colégio apresentaram-se nessa Comédia que realizamos. Quem consegue se esquecer do Carlos, ora de Jorge Bem Jor, ora encarnando um lutador de WWF… Bem, eu entrei no Jurisdrama – por ser aluno do CESA, eu podia participar deste projeto do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, da Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fiz o curso, e tornei-me um Ator Profissional! E, tive dois anos de muito trabalho… Porque um dia, o Carlos, na sala da minha casa, falou-me disto…

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O RAPAZ QUERIA VENCER NA VIDA, e fez tanta força que um dos seus primeiros empregos foi o de vendedor de enciclopédias. Carregava, pela cidade toda, todos aqueles livros… Decidiu cursar Biblioteconomia – olha, que eu conheço gente, mas que cursou isto, apenas ele! – trabalhou aqui e ali, sempre me chamava para almoçar com ele, me apresentava todo mundo, Carlos sempre foi um camarada esplêndido!

TROCANDO IDEIAS, PEDINDO CONSELHOS? Bem, horas a fio isto nem se comenta…

ELE CHEGOU NA GLOBOSAT, EU NA PRODUÇÃO TEATRAL. Meu primeiro projeto de Espetáculo passou pelas mãos dele, para melhorias e correções. Não parou aí: assistiu a todas as minhas Produções, e mais: trabalhava nos bastidores, vocês acreditam? Especialmente, quando o nosso eterno João reis Ferreira, seu adorado tio, trabalhou no Palco comigo. Friso: o melhor artista, com quem eu dividi o Palco, um orgulho para mim!

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QUANDO ELE FOI PARA A NOITE, organizando lindas Festas, ele lembrou-se de mim. Foi a primeira vez, que eu me apresentei fazendo imitações. O “Reinado do Silvio Santos” iniciou-se naqueles dias, e cheguei a fazer isto até mesmo no Circo Voador… Tudo começou por sugestão e inspiração do Carlos Eduardo… Fosse nos melhores ou nos piores momentos, Carlos Eduardo sempre foi meu amigo!

NOITADAS A DENTRO, estivemos juntos, tendo ainda Rubens Lopes, meu Compadre, integrando o Trio. Aliás, foi o Rubens quem me apresentou ao Carlos. E, em 90% do que vocês leram acima, o Rubens estava presente. Adivinha quem levou o Carlos, no meu apartamento, naquele 5 de outubro de 1997?

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“NEM TUDO ERAM ROSAS”: certa vez, andando pelo Leme, Carlos reclamou que o Rubens e eu só falávamos de bobagens, a cerca dos programas do Silvio Santos. Ele queria uma conversa mais “cult”, então sugeriu que falássemos de Noel Rosa. Ao que eu disparei: “voltamos ao mesmo assunto!”. Carlos disse não saber porque, ao que eu respondi: “Quem fora a maior intérprete de Noel Rosa?”, respondeu o Carlos: “Aracy de Almeida”, então disse eu: “Que era a jurada enfezada…”, ao que arrematou o Rubens: “Do programa do Silvio Santos!”…

FAZ MUITA FALTA A COMPANHIA DELE. Não nos vemos já faz um bom tempo – desde a sexta-feira de Carnaval do ano de 2013! – uma vergonha… A única coisa que lamento mais que não vê-lo, é saber que uma das suas marcas registradas – o violão! – está quieto, sentindo saudades dele também…

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APAIXONADO, INSPIRADO, VALENTE, DETERMINADO, CONSCIENTE, meu chará mais que tão querido, não tenho mais o que dizer, porque definitivamente, eu não consigo mais… Como nunca, eu afirmo: o aniversário é seu, mas fomos nós, os seus amigos, quem receberam o presente, e em se tratando de você, que benção! Que Deus, nosso Senhor, te guie, ilumine, acompanhe, te proteja! Você merece muito mais do que você pede, mais do que lhe desejamos! Continua com a gente… Muito obrigado por absolutamente tudo!

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PARABÉNS PRA VOCÊ!

Deste seu bom e velho amigo,

AQUELE ABRAÇO!

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