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ADVOGADOS


  QUEM NUNCA ASSISTIU AO FILME “SEDE DE VINGANÇA”? QUEM NUNCA OUVIU FALAR NESTE FILME? NA PRÁTICA, É CHARLES BRONSON, FAZENDO A LEI COM SUAS PRÓPRIAS MÃOS. PORÉM: “SEDE DE VINGANÇA” E TANTOS OUTROS, SÃO SÓ FILMES! NA VIDA REAL, A COISA É DIFERENTE. Tive um momento de desabafo, totalmente pessoal, sobre o Poder Judiciário, e seus inúmeros agentes. Entendi, por conta da má ventura, que infelizmente vivi, pelos corredores da Justiça, não entendia porquê se deveria comemorar o Dia do Advogado. Em minha mente, entendia que a sociedade deveria dar uma Forca, de presente, para cada advogado. Cometi um erro: até certo ponto. Vamos, então, até ele:

     Os doutores Flávio Leal e Adriane Prange Barros, honestamente, porque são meus amigos e, por conhecê-los, sei que procuram fazer a Lei funcionar, da forma mais cristalina possível! E, eu até citaria mais nomes. A verdade é que eles me fizeram parar para refletir: caminhando para 30.000 acessos, seria irresponsabilidade minha faltar com as minhas origens: eu posso falar do Poder Judiciário como poucos, não por causa de Processos meus, que se arrastaram anos a fio, me causando enormes prejuízos, em todas as áreas da minha vida. Eu entrei, no mundo do Direito, pela porta da frente; continue lendo!

     Meu primeiro emprego, simplesmente, foi num projeto, que se chamava JURISDRAMA; em síntese, adaptavam as Leis, em formato de Peças de Teatro , para que o público leigo aprendesse, tomasse conhecimento de todos os Direitos que possuía. Para que o leitor possa ter uma idéia da importância do JURISDRAMA, no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, quando houve cortes bruscos nas finanças das Universidades Federais, o JURISDRAMA foi um dos poucos projetos que continuou, normalmente, sem cortes de verbas, recebendo o status de Imprescindível.

     Basicamente, o JURISDRAMA tinha um núcleo de Arte Dramática, em outras palavras, um Curso de Teatro. Advinhem quem assinava os Diplomas dos Cursos de Formação de Atores? Nada mais, nada menos, que o influente e poderoso CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS, DA FACULDADE NACIONAL DE DIREITO, DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO.

     Não, não sou advogado. Aliás, eu era o único que não era advogado! Logo, estudávamos tanto a Arte Dramática, quanto a Arte das Leis. O JURISDRAMA, na época, mantinha convênios com o PROCON e com a OAB. Isto me permitiu ver o “Universo do Direito” de camarote! E, era incrível! O JURISDRAMA era recebido em todos os Encontros de Estudantes de Direito, Nacionais ou Estaduais, sedes da OAB, eventos realizados pelo PROCON, como por exemplo, “A Semana do Consumidor“. Aqueles jovens advogados poderiam “mudar o Mundo“, e eu estava ali, para o desse e viesse! 

     O JURISDAMA se apresentava em qualquer lugar, literalmente, pela abranjência dos Temas abordados: Direitos Individuais e Coletivos, Direito da Personalidade, Direito do Consumidor, Direito Autoral. O JURISDRAMA quase se apresentou em Portugal! Porquê não foi, quando tudo estava  pronto, nunca soube…

     Juízes, Desembargadores, Promotores, Professores de Direito, Reitores, nossa! O JURISDRAMA era “a vedete” deles! Foram anos incríveis, e nunca fui tratado como um ator da Companhia: de tanto estudar as Leis, acabei aprendendo o que ensinava!

     O JURISDRAMA, ao que me consta, ainda existe, mas, não mais como fora no passado, e isso aconteceu em virtude do falecimento de seu idealizador e coordenador, o Professor e Doutor Roberto Muniá. O JURISDRAMA, hoje, tem outras finalidades, díspares de sua concepção original.

     Logo, eu entrei na vida adulta acreditando na Justiça, no Poder Judiciário e em todos os seus agentes, em todas as esferas! Porque convivi tempo demais com aquelas pessoas, os Meritíssimos da vida!

     Até que, um dia, eu fui parar do outro lado: eu tive que recorrer aos meus direitos! Imaginem, sabendo tanto sobre Direito, sem trocadilhos, fiz tudo direito! Mas, deu tudo errado: eu conhecia o Direito, do lado dos que eram o Alto Escalão! Eu não conhecia o “camarada do cartório da Vara“, que recebe um dinheiro, para que seu Processo fique, literalmente, mofando… Não conhecia o lado cafajeste de alguns advogados, principalmente os que trabalham dentro dos Fóruns, os piores profissionais que existem! Como é terrível, durante uma audiência, o advogado da outra parte, fazendo deboche da sua cara, fazendo de tudo para lhe irritar na frente do Juiz, exatamente para atrapalhar e adiar o máximo possível a solução de sua causa… Isto, o JURISDRAMA não me ensinou…

     E, por mais popular que você possa ser, por mais que você imite o “Homem Sorriso“, não sou o Silvio Santos: o dinheiro acabou, mas, o Processo não! Então, fui forçado a cair nas mãos da Defensoria Pública! Bem, no JURISDRAMA, eu sabia o quê todos aqueles colegas atores-advogados pensavam da Defensoria: uma autêntica Ópera do Ariano ensandecida, como um querido amigo meu homossexual costuma dizer! A sucursal do Inferno… Eu não tive escolha!

     Queridos leitores, se coloquem no meu lugar: aquele estudante, ou aquela estudante (as mulheres, francamente, te olhando com aquele despreso, ou cara de nojo!) de Direito, na sua frente, e você, NÃO SENDO ADVOGADO, dá uma aula de Direito para a criatura! Que raiva é, uma Defensora lhe olhar usando um terno, ouvindo o quanto você sabe sobre as Leis, virar para você e perguntar, com todo deboche do planeta: “Você está fazendo faculdade de Direito para defender-se a si mesmo?”, e claro, com a franqueza peculiar, ter que colocar cada pingo em cada I ou J: nas dependências do Poder Judiciário, estou usando o Traje adequado. Quem deveria saber Direito aqui são vocês, e não eu! Quem estas pessoas pensam que são, para rir dos seus problemas, na sua cara? Vara Especial, Defensoria Pública, enfim, tudo isso, na verdade, está nas mãos de pessoas incompetentes, que visam apenas os excelentes salários, gratificações e garantias que tais cargos disponibilizam! O Povo, que se dane!

     E aí, aparecem os “Charles Bronsons” da vida, apelando para programas como o do Ratinho, do Wagner Montes, do Datena… Esquecemos que existe, ainda existe gente com garra e raça, que pode fazer valer o seu, o meu, o nosso Direito! O Povo passa a acreditar mais em um apresentador de televisão, do quê num agente do Poder Judiciário… Não é incoerente, se levarmos em consideração que, indiscutivelmente, a televisão é o Quarto Poder!

     Não, não me odeiem, amigos advogados: aqui entre nós, é mais fácil atirar pedras em mim, do que fazer o Dever de Casa! Eu conheço bem a OAB, a Corregedoria, todos estes dispositivos Legais, previstos na Lei… Mas, eu sou só um artista, um idiota: só Ditadores se preocupam com artistas, não Governos Democratas! Vocês, advogados, podem tudo, e eu sei disso! Façam o JURISDRAMA ressuscitar no meu coração, provem, não só com palavras, mas com atitudes, que tudo o que eu (e, honestamente: O Povo!) disse, como “Advogado bom é Advogado morto” é uma estupidez! Como vou adorar gritar bem alto: “Eu estava errado!”! Chutar cachorro morto, é facil! Por hora, todo apoio a quem quer e pode mudar este estado de coisas! Acusam-nos de escolher mal nossos governantes: o Poder Judiciário, este, não pode descarregar nas costas do povo: não escolhemos Juízes, pelo voto!

        E eu, o “Super Bacana“, como cantou Caetano Veloso, “Vou explodir Colorindo o Solo  em Cinco Sentidos: Nada no Bolso, ou nas Mãos!”!

       E zéfini! Zéfini!

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2 Responses to “ADVOGADOS”


  1. 1 Joice mariana
    agosto 15, 2011 às 3:23 am

    Voce disse uma coisa muito curiosa.. Por que nao escolhemos o poder judiciário?

  2. novembro 19, 2011 às 2:22 pm

    OK! Vamos levantar o Jurisdrama!
    O Muniá faleceu em 2005 desgostoso com o CCJE, OAB, e outros mais.
    Sem verbas um sonho pode virar pesadelo.
    Hoje, mesmo sem verbas, tenho orgulho de fazer parte do Jurisdrama.
    Apesar de todas as dificuldades que enfrentamos conseguimos coisas impossíveis.
    Tenho a satisfação de divulgar e convidá-los para a pré-estréia do nosso segundo documentário:
    UM CAMINHO PARA A FELICIDADE
    Este nosso segundo documentário é um exemplo disto. Totalmente gravado na Polinter de São João do Meriti, o filme retrata a importância da arte no processo de ressocialização e como o Jurisdrama atua (com teatro) em benefício dos internos daquela unidade.
    Será um enorme prazer rever a todos que participaram do Jurisdrama, nesse dia, que para nós, será histórico.
    FND – Faculdade Nacional de Direito – Rua Moncorro Filho 8 – Salão Nobre – dia 26 de novembro de 2011 – 18h.


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