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RICOS FALIDOS


 ESTA CENA É UM CLÁSSICO, que estampa bem esta matéria: a “sucateira” (emergente!) Maria do Carmo Pereira (magnificamente interpretada por Regina Duarte), diante de Isabelle de Brèson (Cleyde Yáconis: dispensa comentários!), usando o mesmo modelo de roupa, diante de ninguém mais, ninguém menos, que LAURINHA DE ALBUQUERQUE FIGUEROA (magistralmente interpretada por Glória Menezes), em um jantar na mansão Albuquerque Figueroa; Maria do Carmo pergunta à Isabelle se ela também havia comprado em Miami; constrangida, Isabelle limita-se a mencionar: “Não. O meu é da Maison Dior”. Um pequeno à parte: essa cena, de fato, aconteceu no Jet-Set internacional! Pré-conceitos à parte, principalmente porque Silvio de Abreu, a quem tenho profunda admiração, colocou a socielite falida como vilã de sua “Rainha da Sucata“, gostaria de comentar um “Mundo” à parte, que, na minha opinião, o Novelista, se não previu, ou foi genial em seu Dom de Autor, ou soube bem como explorar uma tendência: os surgimento dos Ricos-Falidos. Eles sempre existiram, mas, parece-me que, de 1990 para cá, eles ficaram mais notórios; não sei se mais notórios, ou mais comuns. Os Ricos-Falidos são, geralmente, herdeiros de grandes fortunas, cujos sobrenomes estão até em nomes de ruas, hospitais, nos livros de História. Às vezes, o patrimônio nem era tão grande assim, mas, o Glamour, a Personalidade Forte, o Bom Gosto, a Cultura, fazem naturalmente um “marketing pessoal” destes ex-endinheirados que, quando se arruinam, apenas o Prestígio Pessoal delas lhe bastam, para, literalmente, sobreviverem. Acreditem, a vida de um Rico-Falido é terrível! Aqui entre nós: no fundo, eles encaram as dificuldades, mas desejam mesmo é a morte, diante de todo escárnio que recebem de Jornalistas Marrons e fracaçados vários, que lançam em suas má-venturas uma espécie de “Justiça Divina”. A explicação para estas pessoas tão ilustres, tão inteligentes chegarem a bancarrota é mais simples do que se imagina: gastaram mais do que podiam; de onde se tira, e não se recoloca, nada fica. Eles gastam o quê é deles, e ponto final. Por fineza, apenas, vou me ater a exemplos no extrangeiro. Talvez, atualmente, o maior deles seja a própria Rainha Elisabeth II, que pediu auxílio ao Fundo de Pobreza do Reino Unido, para manter a seus Palácios e a própria Família Real. Este ano, não haverá grandes festividades de Natal, em torrno da Família Real Britânica, como forma, literalmente, de contenção de gastos. Muitos Ricos Falidos, na necessidade de dinheiro, entram geralmente no mundo da Literatura; escrevem suas Biografias, tão rica e fascinante, como a do falecido Playboy Jorginho Guinle. Muitos escrevem livros sobre Moda, Etiqueta, Comportamento Social. Alguns (muito poucos, e severamente recriminados) viraram Promoters. É aí, que voltamos à foto acima, e ao tomo principal desta resenha: lembro-me perfeitamente, da Colunista Hildegard Angel, em 1995, reclamar-se de que a Alta Sociedade, ainda se queixando do Plano Collor, não realizava mais suas Festas Monumentais, que as senhoras da Sociedade estavam repetindo vestidos, enfim, faltava dinheiro na Alta Sociedade, e notícas para ela. Então, seguindo exemplo da Colunista Social portuguesa (logo de onde!!!) Maria Guadalupe, que criou, em Portugual, o termo “Sociedade Emergente” para os endinheirados, de sobrenomes desconhecidos, que faziam a Vida Social girar. Hilde decidiu fazer o mesmo aqui, no Brasil; o resultado, todos sabemos: de cara, Ibrahim Sued disse que não promoveria “Jacaré com Cobra-D’água” em sua Coluna; Helena Gondim, ao ser arguida por Hildegard Angel sobre a razão dos nomes desta “Sociedade Emergente” não constar em seu tão Exclusivo e Fechado “Sociedade Brasileira” disparou: “Não foi você quem os trouxe do Túnel (trata-se do Túnel Dois Irmãos, que liga a Zona Sul do Rio à Barra, reduto dos “Emergentes”) pra cá? Provoma você eles!”. Foi uma década complicada a de 1990. Grandes Fortunas se acabando, e o grande mal social, o imperdoável: o Novo Rico! Retorno ao genial Silvio de Abreu, que em “Passione” retrata bem isso, em sua “Clô Sousa e Silva“, com seu adorado “Jardim América“! Evidentemente, alguns destes novos endinheirados, atualmente, frequentam a chamada Alta Sociedade, pessoas naturalmente sem as afetações da Clô, por N motivos, o que daria uma nova resenha. Mas, a grande verdade: os Ricos Falidos são necessários para a Sociedade como um Todo ( na minha opinião, no mínimo, deveriam fazer parte do Itamaraty!), porque são valorizados pelo que SÃO, e o que SÃO é algo que mescla-se com o QUÊ REPRESENTAM: Bom Gosto, Classe, Cultura, Postura, Senso Crítico, Referência. E, não se iludam, achando que basta ter dinheiro, para pertencer a este mundo de Alta Sociedade: Vera Loyola, com todo seu dinheiro, jamais fará parte dele; já Ibrahim Sued, iletrado, filho de imigrantes, chamado entre os íntimos de “O Turco“, entrou pela porta dos fundos, mas sai pela porta da frente, ovacionado pelos salões desta mesma Alta Sociedade. Apenas para fechar a questão da foto acima, Maria do carmo era uma Emergente, que queria entrar para a Alta Sociedade Paulista. Laurinha de Albuquerque Figueroa, Socielite “Quatocentona” Paulista, vivia de aparências, na esperança de “algo bom acontecer”. Com a publicidade da falência dos Albuquerque Figueroa, Maria do Carmo propõe a Laurinha que se tornasse Promoter da boate de Lambada que ela iria abrir, a “Sucata“… Tenho certeza que refresquei bastante a memória de vocês, e que coloquei muito pingo no I  e no J certos!

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3 Responses to “RICOS FALIDOS”


  1. novembro 22, 2010 às 6:14 am

    Caro Pimenta, gostaria de dizer-lhe que achei interessantíssima sua explicação pegando como exemplo o casal mais elegante da teledramaturgia brasileira, Laurinha e Betinho Albuquerque Figuerôa. Por fim, gostaria de perguntar-lhe se realmente existiu ou, ainda existe, a loja em que Maria do Carmo afirma ter comprado seu vestido ” Maisys”. Grato desde já!

    • 2 Rodrigo
      junho 1, 2012 às 12:15 am

      Meu caro, trata-se do Macy´s em Miami e é claro que ainda existe.

  2. 3 Adolfo Vasconcelos e Raposo
    abril 15, 2012 às 4:23 pm

    Realmente, a Alta Sociedade não é mais a mesma e NUNCA mais será como já foi….Os tempos dourados, as grandes festas das famílias quatrocentonas em seus casarões marcaram os anos dourados com seus anseios pela cultura europeia. Agora esses novos ricos, provenientes de ítalo-brasileiros ou de nordestinos, fazem a festa, nem sabendo ao menos, o que é cultura. UMA PENA!


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